NARRATIVA DO INIMIGO

NARRATIVA DO INIMIGO

Foi numa matéria publicada em 2013, no “The Guardian”, que li pela primeira vez algo a respeito desse tema (narrativa do inimigo ou falsa narrativa).

O ser humano: um eterno contador de histórias

Desde o momento em que o homem começou a se reunir em grupos, a formar as primeiras “rodas” em torno de suas fogueiras, histórias começaram a ser contadas e compartilhadas.

“Narrativa” nada mais é do que uma história – e pessoas amam histórias; nossas vidas são recheadas de histórias. Nossos dias, nossas atividades possuem começo, meio e fim.

Histórias são legais e seus enredos ou tramas são excitantes. Elas nos fazem pensar, sentir, agir e (às vezes) considerar nossa própria existência. Nós damos sentido às nossas vidas através de nossas histórias.

Basicamente, há dois tipos de histórias: uma é aquela que contamos uns para os outros (externa) e outra é aquela que contamos para nós mesmos (interna ou decorrente do diálogo interno, do imaginário, de pensamentos repetitivos).

As histórias que contamos à nós mesmos podem nos criar problemas

A mente humana se desenvolveu visando garantir nossa sobrevivência e facilitar nossas vidas. Para que isso seja possível, aprendemos a “generalizar” (desde idéias a comportamentos); pois esse processo, além de ser rápido, consome menos energia – mental e física.

Mas, quando generalizamos, deixamos passar ou perdemos detalhes preciosos; não conseguimos ter uma clara ou compreensão precisa do que está acontecendo e, assim o fazendo, muitas vezes alteramos por completo o significado dos acontecimentos; passamos direto para as conclusões.

Quando não “desafiamos” nossas próprias narrativas geramos, fatalmente, uma visão distorcida dos fatos (ao que se dá o nome de preconceito, rotulagem, erro cognitivo).

Na verdade, só conseguimos interpretar as histórias a partir do ponto de vista de nosso próprio “herói” interior e, onde há um herói, há de também haver um inimigo (essa é a lógica das narrativas contadas e recontadas ao longo de toda a história da humanidade).

Nosso ponto de vista não necessariamente representa a “verdade”; mas nós acreditamos nele, como se verdade fosse.

Joseph Goebbels, ministro da comunicação no período nazista, dizia: “Diga uma mentira e ela será esquecida. Repita inúmeras vezes uma mentira e ela se transformará em verdade.

O que repetimos para nós mesmos em nossa mente (diálogo interno) transforma-se em nossa verdade ( eu (não) sou   ,. eu (não) mereço…, eu (não) posso   , eu (não) consigo   , eu (não) faço   , ninguém …, fulano é …, a vida…, o governo…, políticos são …).

As histórias (falsamente) repetidas parecem reais e nós as tratamos como reais – afinal, são “nossas” histórias (e o pior de tudo é que não fomos educados para desafiá-las, testá-las, averiguá-las ou confirmá-las).

Nós contamos a nós mesmos falsas histórias, “culpamos os outros” a fim de não assumirmos nossos próprios erros ou ainda a responsabilidade pela mudança. É muito mais fácil criar histórias onde “alguém” seja o culpado por nossa infelicidade do que sairmos de nossa zona de conforto e enfrentarmos nossos próprios desafios.

Contar e repetir “falsas histórias” é um hábito em nossas vidas; que nunca pára de se expandir – até o ponto em que a “verdade” não seja mais possível de ser reconhecida.

Espero que já consiga perceber que “falsas narrativas”, as histórias distorcidas que contamos para nós mesmos geram padrões negativos de pensamento, interrompem momentos positivos de nossas vidas e destroem relacionamentos, contribuem para que nossos planos ou projetos de vida não sejam alcançados.

O que fazer ?

A “verdade”, por mais dolorosa que possa parecer, é nossa única amiga. Mas, ela não é um “prato pronto”; precisa ser construída com a contribuição de diversos olhares, informações e experiências – o que, em hipótese alguma, significa abrir mão das próprias responsabilidades ou direito de escolha. Uma coisa é se interessar, manter a mente e os ouvidos abertos, conversar, discutir. Outra é calar, omitir, agir com indiferença, aceitar passivamente, paralisar diante de qualquer situação.

Estar “aberto” a rever as próprias histórias, pensamentos e escolhas; senão o rumo da própria vida requer honestidade para consigo mesmo e coragem. E quem não as tem ? Afinal, tudo é uma questão de momento, oportunidade.

Aproveite seu momento “presente” (pois nos é uma benção) e reveja as histórias que vem contando para si mesmo(a). Verifique se elas estão ou não contribuindo para te levar para onde deseja chegar.

Votos de sucesso e muita paz !

 

Imagem Unsplash, by Daniil Kuželev, @kuzelevdaniil

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