E se trabalhar menos fosse a chave para fazer mais ?

E se trabalhar menos fosse a chave para fazer mais ?

Quem de nós já não teve a sensação de que o tempo, as horas de que dispomos para nosso trabalho diário não são suficientes para fazer tudo o que precisamos fazer. Tarefas que deveriam demorar apenas alguns minutos se estendem por horas, enquanto o resto do trabalho se acumula.

Para a maioria, a solução é trabalhar até mais tarde, até tarde da noite ou mesmo durante o final de semana – o que com o tempo gera sensação de exaustão e estresse.

Por conta disso, talvez devêssemos nos perguntar: “Isso funciona?”

Trabalhar ou não trabalhar ?

Apesar das constantes queixas que ouvimos sobre o estresse no trabalho, por incrível que possa parecer, pesquisadores apontam que o trabalho é menos estressante do que a nossa vida doméstica. Para alguns, o trabalho pode ser um refúgio, um lugar para se sentir confiante e em controle.

A (falsa) produtividade no local de trabalho

Na ausência de indicadores claros do significado de ser produtivo e valioso em seus empregos, muitos trabalhadores adotam o indicador industrial de produtividade: fazer muitas coisas de maneira visível.

Trabalhar para mostrar, ao que parece, também é inútil. Um estudo de consultores da Escola de Negócios da Universidade de Boston descobriu que os gerentes não podiam distinguir a diferença entre funcionários que realmente trabalhavam 80 horas por semana e aqueles que apenas fingiam.

Em 2014, a empresa de redes sociais The Draugiem Group usou um aplicativo de produtividade de tempo para estudar quais hábitos tornavam seus funcionários mais produtivos.

Surpreendentemente, os 10% mais produtivos não colocaram mais horas do que qualquer colega de trabalho – muitas vezes nem sequer trabalharam oito horas por dia. Em vez disso, a chave para a produtividade foi a de que para cada 52 minutos de trabalho focado, eles faziam uma pausa de 17 minutos.

Muito antes dessa pesquisa, o sociólogo italiano Domenico de Masi já havia apresentado sua teoria do “ócio criativo” (Editora Sextante); segundo a qual o ócio, longe de ser negativo, é um fator que estimula a criatividade pessoal.

O mito da gestão do tempo

“Gestão do tempo” é um método segundo o qual os gestores são responsáveis pela organização do seu próprio tempo. Os métodos tradicionais ensinam a fazer um maior número de tarefas em menos tempo, melhorando assim a eficiência. Para gerir o tempo deve-se usar uma matriz com duas dimensões: o urgente e o importante e todas as atividades deverão ser classificadas segundo estas duas variáveis.

Há inúmeras recomendações para obtenção de uma adequada “gestão do tempo”; entre elas “fugir da procrastinação, organizar e agendar tarefas, evitar o estresse (hahahahah), definir prazos, evitar fazer mil coisas ao mesmo tempo, começar cedo, aprender a dizer não” e por aí vai.

No entanto, já o sabemos, que os maiores desafios referem-se a questão da “eficácia”, ou seja, conseguir satisfazer os tais objetivos prioritários e de ordem qualitativa.

Geralmente, pequenas explosões de longas horas levam a aumentos na produtividade, mas com o tempo esses ganhos desaparecem. Por conta do cansaço e consequente queda da produtividade, as chances de erros onerosos aumentam e, como resultado, os ganhos que advêm do trabalho prolongado desaparecem.

Na verdade, poucas horas de trabalho concentrado pode ser tão eficazes quanto um dia inteiro de trabalho.

Gerenciando o desvio de distração

Talvez, a chave para manter o foco e a energia em rajadas mais curtas de trabalho seja aplicar flexibilidade aos intervalos; ou seja, usá-los para pequenas atividades tais como relaxamento (descanso), alongamento, meditação, etc

Para se fazer mais em menos tempo, recomenda-se construir hábitos de “trabalho profundo”; ou seja, FOCO, a capacidade de se concentrar sem interrupções ou distração.

Outra possibilidade é repensar como você prioriza seu dia, como você cria sua lista de tarefas. Por melhor estruturado que seja seu planejamento, nunca deixe de considerar os imprevistos; pelo que deixar espaço ou se preparar para improvisações pode ser uma ótima estratégia.

Se você for como a maioria das pessoas, muito provavelmente terá quedas de produtividade no meio da manhã, logo após o almoço ou no meio da tarde. Considere respeitar esses momentos e se utilizar do resto de seu tempo de forma efetiva, com maior grau de concentração.

 

Fontes

http://www.infojovem.org.br/infopedia/recursos/glossario/

https://www.bu.edu/today/2015/erin-reid-80-hour-work-week/

https://hbr.org/2015/08/the-research-is-clear-long-hours-backfire-for-people-and-for-companies

https://blog.desktime.com/2014/08/20/the-secret-of-the-10-most-productive-people-breaking/

http://www.bbc.com/capital/story/20170612-why-you-should-manage-your-energy-not-your-time

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