Ruminismo.

Ruminismo.

Todo mundo sabe que “vaca rumina” – e não é apenas ela que o faz. Mas, não é dessa “ruminação” que quero falar.

Há um outro processo de ruminação que nos afeta diária e intensamente e do qual provavelmente não nos damos conta – porque, afinal, temos o péssimo hábito de ficar brincando com o que nos afeta, de repetir que “é assim mesmo”, “faz parte”, “não tem jeito”. Esse processo é o de RUMINAÇÃO MENTAL.

Alguns dizem que “falam consigo mesmo e que em alguns momentos até respondem”.

Até aqui nada de anormal. Afinal, essa “conversa mental” é fruto de nosso ego, de nossas memórias, de nossas necessidades. Faz parte de nossa percepção, de nosso processo cognitivo e da tomada de decisões.

Todavia, há sempre um ponto em que o “normal torna-se demais” – como aquela gota d’água que faz o balde transbordar.

Esse momento é aquele em que deixamos de viver o momento presente, de usufruir dos prazeres e oportunidades da vida e passamos a remoer questões ainda não totalmente resolvidas; sofrer pelas feridas que foram abertas ou que, quando já cicatrizadas, ainda ecoam em nossas almas.

Para facilitar a compreensão, divido essa questão em duas, uma de ordem material ou comportamental e outra de ordem espiritual, íntima, que atinge nossa alma ou essência. A primeira, talvez seja a mais fácil de ser resolvida.

Imagino que você possa se lembrar de algum momento em que já se pegou a resmungar, a lamentar, a repetir queixas e reclamações – por dias seguidos, sobre algo que não saiu como esperava, sobre algo que te fizeram ou te prejudicaram. Muito provavelmente, seu estômago ardeu ou doeu, sua pressão subiu, teve dores de cabeça, não dormiu direito – até porque ao deitar se pegava resmungando mais ainda. Nesses momentos imagino que ficava “conversando” com a questão, dizendo para si mesmo o que deveria ter feito ou criando ameaças a respeito do que poderia vir a fazer – ainda que não fosse mais possível.

Somente quando damos conta do “prejuízo” é que iniciamos nossa “reação ou defesa mental” – a qual também cobra seu preço, físico e mental.

Na maioria das vezes, situações como essa decorrem de nossos medos, receios, insegurança e, num patamar maior, de nossa inércia ou paralisia. Eventos acontecem à nossa volta para os quais muitas vezes não estamos preparados, não sabemos como (re)agir ou não agimos no momento e/ou de forma adequada as necessidades – pessoais e do evento em si.

A questão de ordem espiritual, íntima ou que atinge nossa alma ou essência não é muito diferente da primeira. O que difere é que necessitamos aprender a praticar o auto-acolhimento, a aceitação da ocorrência dos fatos (o que não significa concordar com o que aconteceu, mas simplesmente aceitar que aconteceu), o (auto)perdão ou desapego.

Na primeira, é preciso saber como agir, o que fazer (ou não fazer) – na hora certa, no momento adequado; encerrando assim a questão (já notou que ninguém fica resmungando por uma questão já encerrada ?).

Já na segunda é necessário aprender a se acolher e a se desapegar – da dor, do sofrimento.

Observe que temos um hábito – nada saudável, de nos referirmos a praticamente quase tudo de forma possessiva: meu marido, meu filho, MINHA dor. Tanto quanto não deixamos que cada um viva sua própria vida, também não permitimos que “nossa” dor se dissipe, vá embora – como se isso fosso realmente impossível.

Impossível ou medo da mudança, de assumir sua parcela de responsabilidade ? E não era o fim...

Aprender a diagnosticar os fatos, a “realidade do momento”, a desenvolver respostas ou atitudes adequadas aos mesmos e agir em sintonia com nossos princípios e valores continua sendo um ótimo remédio.

Costumo dizer que precisamos aprender a fechar histórias, colocar um ponto final em nossas questões. Somente assim nos “libertamos” para novas experiências, para viver o momento presente, a vida em sua plenitude.

Quero compartilhar que questões como essa são discutidas em minha proposta para o curso de “Gerenciamento Emocional” (clique aqui para maiores informações)

Namastê !

 

E.T. – dê uma lida na metáfora “Os monges e o Rio da Discórdia“. Ela ilustra bem essa questão do ruminismo mental.

2 comentários em “Ruminismo.

  1. Muito bacana o texto apresentado Bartolomeu.

    Me avise quando for acontecer o próximo curso que eu tenho interesse em participar.

    Um forte abraço

    Fábio

    Curtir

O que achou desse artigo?

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s