Resiliente ? Sim, mas com saúde !

resiliência

Nos últimos anos inúmeros artigos foram escritos por pessoas ligadas ao mundo corporativo. O mote tem sido “ser resiliente” e com essa bandeira muito se tem repetido que resiliência é a a capacidade que certas pessoas têm de sofrer fortes pressões ou passar por situações de grande estresse e não quebrar emocionalmente.Posso estar equivocado mas, com esse discurso sobre “resiliência”, subliminarmente, o mundo corporativo passou a exigir ainda mais de seus colaboradores, de seus empregados, de você caro leitor – entregando em contrapartida cada vez menos.

Afinal, estamos vivendo sim um período de intenso estresse coletivo, mudanças estão acontecendo de forma e velocidade antes nunca vistas ou previstas, demandas estão superando nossa capacidade pessoal de entrega e a lógica do sistema é a de produzir, vender, ganhar – sem parar, a que custo for.

Quero com isso observar que, ao falarmos de resiliência de uma maneira aparentemente glamourosa, estamos deixando de falar sobre o estresse e, consequentemente, estamos deixando de dar a devida atenção a nossa qualidade de vida, ao nosso bem estar, a nossa saúde – física e mental.

Acredito que poucas pessoas se deram conta de que a OIT – Organização Internacional do Trabalho, em 2013, já havia acendido a luz vermelha para essa questão do estresse; classificando-o como uma das “pandemias¹ ocultas”, que haviam contribuído para o índice de 86% de afastamento do trabalho por enfermidades².

Muito antes da OIT, a OMS – Organização Mundial³ da Saúde também já havia alertado (já em 2009) de que até 2030 a depressão (classificada como transtorno mental) será a doença mais comum no mundo – afetando mais pessoas do que qualquer outro problema de saúde, incluindo câncer, Aids e doenças cardíacas.

Não podemos afirmar que a depressão tenha por causa o estresse. Mas hoje ninguém contesta que o estresse pode sim antecipar, precipitar o surgimento dessa doença4.

Agora, se nossas vidas estão em jogo, se estamos pondo em risco nossa saúde e qualidade de vida, fico aqui me perguntando o que nos impede de falarmos a respeito de assunto tão importante ?

Será que simplesmente temos medo por acreditarmos que, se falarmos desse assunto, corremos o risco de termos os dedos apontados para nós e sermos chamados de estressados ?

Aqui cabem algumas considerações.

Dizer que “fulano É estressado” é uma tremenda falta de respeito para com o outro, é deselegante, desqualificamos a pessoa.

Dizer que “fulano AGE de maneira estressada ou estressante” já nos fala de seu comportamento, de suas atitudes, de sua educação, de sua cultura e/ou visão de mundo. Nesse caso, com cautela, devemos analisar se tais comportamentos ocorrem para atender as necessidades daquela pessoa e/ou se são adequados para o contexto em que ocorrem. Por fim, também é importante levar em consideração se não somos “nós” que eventualmente não estamos dando conta das exigências ou necessidades do outro. Nesse último caso talvez sejamos nós que estejamos estressados e ainda não nos demos conta disso, ainda não percebemos ou aceitamos os fatos.

Por fim, dizer que “fulano ESTÁ estressado ou ESTÁ SOB estresse” acredito eu seja a maneira mais adequado (e também educada) de referir-se a alguém que não esteja dando conta do recado.

Vale lembrar que o estresse nada mais é do que uma reação orgânica, onde substâncias são liberadas em nosso organismo, visando nossa sobrevivência.

Como já escrevi noutro post, lá nos tempos das cavernas, tais substâncias nos faziam correr (para comer e não ser comido), nos paralisavam (para não fazermos besteiras), nos davam energia para lutar, enfrentar os perigos e adversidades. Por conta de nossas intensas atividades, nossos corpos davam conta dessas substâncias. Hoje, face ao “progresso” e extremo sedentarismo essa substâncias se acumulam e intoxicam nossos corpos.

Outra questão a considerar é que, ao menos em tese, somos os únicos “animais” no planeta que pensam e por assim o fazer, sofrem por suas lembranças e sofrem pelo temor dos fatos que estão por acontecer (e que talvez nunca aconteçam). Ou seja, nossa mente flutua entre passado e futuro e quase nunca fica no “momento presente”, no que de fato está acontecendo. Essa intensa, contínua e muitas vezes desapercebida oscilação também contribui para aumento do nível de estresse, senão da agressão ao nosso organismo.

Você conhece aquele ditado “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come” ?

Pois é: não se deixe enganar acreditando que trabalhando apenas sua “resiliência” estará livre, isento dos fatores que comprometem sua saúde – física e mental.

Portanto, leve a sério a questão e cuide de si mesmo. Você ainda é seu maior patrimônio e melhor investimento.

 

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