A busca pela felicidade, a inveja e a prática do “momento presente”

Quero compartilhar de duas recentes experiências que me fizeram resgatar esse assunto de “momento presente”.

InvejaHá poucos dias presenteava um amigo com uma garrafa de cachaça e hoje, ao acessar uma rede social, me deparei com a foto de uma amiga junto a um grupo de pessoas, toda sorridente e grata pela oportunidade de tê-las conhecido.

Ambas as situações me dispararam a sensação de inveja.

Sim, caro leitor, hoje tenho consciência de que é isso mesmo e que inveja é orgânico: eu tenho, TU TENS, eles têm inveja (desejo dos resultados, das conquistas, do que o outro tem ou conquistou); e acredito que a questão não é de senti-la ou não, mas do que fazer com essa emoção.

Espero que alguém me pergunte: – Inveja do quê ? No primeiro caso, não era você que estava presenteando um amigo ? Como ter inveja do presente que você mesmo providenciou ?

Pois é, vamos falar um pouco sobre o que nos conta a ciência ou a neurociência.

reconhecimento facialDizem que ao longo de nossa evolução, o cérebro foi programado para reconhecer padrões (faciais, formas, cores, movimentos, etc) e, assim o fazendo, pegar ou buscar atalhos, encurtar operações e caminhos, tudo para “facilitar” nossa vida.

Temos que concordar que é o máximo quando essa programação realmente funciona. Afinal, temos os resultados que desejamos e nossa satisfação é garantida.

Todavia, como vivemos imersos, afogados numa série interminável de estímulos (sons, pessoas, afazeres, obrigações, desejos, emoções, necessidades físicas e fisiológicas) é pouco provável que realmente consigamos dar atenção adequada aos acontecimentos à nossa volta.

O que isso significa ? Oras, que todos nós vivemos no “automático”.

Até aqui nada de mais, é assim mesmo – pode relaxar.correria

Contudo, a coisa começa a se tornar importante a partir do instante em que esse “automático”  deixa de respeitar a “programação inicial” (que era a de garantir nosso bem estar e felicidade) e passamos a ter
resultados não desejáveis – que por sua vez geram aborrecimentos, frustrações e lá vamos nós ladeira abaixo, numa espiral negativa.

Por favor, pergunte aí: – Mas o que isso tem a ver com a garrafa de cachaça e a foto de sua amiga ?

É simples: como disse acima, o meu, O SEU cérebro está programado para pegar atalhos, encurtar caminhos e aí me dei conta de que a expressão de satisfação e felicidade do meu amigo ao provar da tal cachaça foi tanta que meu cérebro automaticamente ligou sua expressão com felicidade.

Se pudesse transformar isso numa fórmula matemática, imagino que seria algo como :

feliz-felicidade21) sorriso largo do amigo + 2) garrafa de cachaça = 3) garantia de felicidade.

Acontece que praticando o tal do “momento presente” caiu a ficha de que não curto cachaça, que mesmo que pegasse de volta a tal da garrafa jamais teria a mesma expressão de felicidade que meu amigo apresentava.

Com a foto de minha amiga não foi muito diferente. Porém estando mais “presente” pude rapidamente entender o que se passava: 1) amiga grata por novos amigos + 2) “oportunidade” de conhecer novos amigos = 3) garantia de felicidade.

Satisfação e felicidade fazem parte de nossa programação mental e imagino que nosso cérebro, ao buscar por atalhos, querendo encurtar caminhos, muitas vezes tenta nos proporcionar satisfação e felicidade através das experiências dos outros – gerando aquilo que chamamos de inveja.

Nesse momento você talvez esteja dizendo para si mesmo “quanta bobagem”, “isso não acontece comigo” …. Jura ? Tem assim tanta certeza ?

Pare então um minuto e procure se lembrar de suas próprias experiências – em especial daqueles momentos em que ficou resmungando sobre sua vida. Seja honesto consigo mesmo e identifique quais foram os “seus pensamentos” e quais os “comportamentos” (o que fez, o que deixou de fazer no momento em que os fatos estavam se desenrolando) que te levaram àquele resultado.

Há como “evitar” esse tipo de situação ?

Imagino que não. Nossa capacidade de foco, atenção e concentração é sim limitada.

Por outro lado, podemos desenvolver ferramentas ou mecanismos que contribuam para a obtenção dos resultados que desejamos e a prática de “momento presente” é uma delas.

O que é isso ?

Bem, ficará para um outro dia.Inveja

Por ora talvez possamos deixar de lado aquela velha história de “pecado capital” e refletirmos sobre o significado, a utilidade dessa emoção. Sim, utilidade. Afinal, não seria um alerta para que prestemos atenção em nossos próprios desejos e necessidades ?

Como seria a nossa vida se prestássemos mais atenção a nós mesmos e deixássemos o outro e suas conquistas em paz ? Não fez ele por merecer ? Que tal fazermos o mesmo ?

É isso: quando bater a inveja, o “quero mais”, experimenta olhar para si mesmo e correr atrás dos SEUS sonhos. 

Até breve.

Corra atra

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