CONVITE A UM OLHAR DIFERENTE

Um olhar diferente

Há algum tempo, uma amiga me sugeriu fosse fazer terapia.  Esbocei um leve sorriso e quase acabei apanhando.  Essa amiga achou que eu estava fazendo pouco caso de sua sugestão. No entanto, não tive oportunidade de explicar-lhe que já fazia (e continuo a fazer) terapia há mais de 30 (TRINTA) anos – do meu jeito.

Explico-me: entre bocas que falam e mãos que fazem, sempre admirei aquelas que ajudam a dar forma ou mesmo a limpar o barro. Ainda que o divã se faça necessário, a terapia (assim como a meditação) pode ser feita em movimento, em atividade e até mesmo no caos.

Meu processo terapêutico começou muito cedo. Sem me dar conta, no início da adolescência fui “convidado” as atividades de voluntariado. Participei de incontáveis festas para crianças, uma ou outra para idosos (curioso né !?), visitei asilos, orfanatos, trabalhei em abrigos, distribuí alimentos, construi barraco para uma família em condições sub-humanas (ou melhor, o grupo construiu literalmente uma “residência” digna de se morar), visitei hospitais onde presenciei pessoas partindo e outras (re)nascendo, ajudei no preparo de muito almoço, lavei muita louça e por aí vai.

Cada tem uma fraqueza própria e, consequentemente, cada um necessita de um remédio, de uma terapia específica.

Uns necessitam do silêncio, compreensão e companhia de cães e gatos.

Outros, de apreciar, absorver, senão aprender com a pureza, singeleza e espontaneidade das crianças – terapia essa intensificada nas festas de final de ano.

E aqui me dou conta que pouquíssimos falam de suas “terapias”, de suas experiências com idosos, deficientes, dependentes ou doentes, quaisquer que sejam suas causas.

Curioso notar que nessas atividades com idosos e deficientes há pouquíssimos jovens (e quero estar enganado sobre isso); pois há de se ter extrema paciência e desprendimento.

Quero compartilhar que ter sido Papai Noel em várias oportunidades e ganhar inúmeros abraços foi muito bom, ter participado da transformação do barraco em residência digna mexeu com minhas fibras e foi uma enorme lição de vida; mas somente as visitas ao hospital é que me mostraram o verdadeiro sentido de “humanidade” e me deram sentido de dignidade.

No hospital aprendi a não mais enxergar doentes, mas pessoas em estado de (re)aprendizagem, de reflexão – na sua maioria nuas, despidas de suas posses, honrarias, poder…

Todos queremos um mundo melhor, não é mesmo ? ! Então talvez já esteja mais do que na hora de começarmos a derrubar paredes, encurtar distâncias, construir pontes – de verdade.

Trocar seu cachorro por uma criança pobre ? ( in memorian de Eduardo Dusek – ainda que ele esteja bem vivo).

Não, talvez não seja necessário.  Mas, talvez seja uma boa perdermos o medo e a aversão que temos um pelo outro – até porque, talvez, seja esse “outro” que amanhã estará cuidando de nós.

Fica o convite: experimente começar a conhecer pessoas – de verdade – que estejam bem próximas de você.  Talvez você se surpreenda, talvez você goste da ideia, talvez o mundo comece a mudar, talvez ….. quem sabe……

Que o dia de hoje seja melhor do que o dia de ontem !

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